O
Filho Pródigo
É possível que
de todas as parábolas, seja a mais
incompreendida,
por que nos vemos sempre no lugar do filho que
ficou,
nunca do que partiu.
Como um filho que
abandonou tudo e seguiu sua vida,
cometeu seus erros e certamente pagou por eles,
pode ser recebido com festas,
como se fosse o rei voltando ao trono?
Não, não
poderemos compreender tanto que nosso coração
estiver focalizado
na condição humana e nas supostas injustiças da
vida.
Não poderemos compreender tanto que nos
consideramos como seres perfeitos,
que nunca saíram da linha e nunca necessitaram
de braços abertos
que o recebam e o perdão de um coração sincero.
Só a vida nos
ensina certas coisas.
Só mais tarde, sendo pais, tendo filhos,
diferentes,
mas todos descendendes de igual medida, é que
podemos entender que
desenvolvemos nosso cuidado segundo a
necessidade de cada filho.
Não é a
criança doente que carece de mais atenção?
Não é ao lado dela que passamos a noite toda,
verificando se tudo vai bem?
A possibilidade de perder o que quer que seja,
nos aproxima dessa mesma coisa,
como uma tentativa de agarrá-la.
Sabemos que o filho que dorme no outro quarto
e
que vai bem não merece menos atenção
e por ele nosso coração pede cada dia ao Pai para que permaneça assim,
que seja guardado das doenças e dos maus
caminhos.
Um filho que
escolhe outros caminhos da vida,
não é um filho
que se perde.
É um filho que seguiu outra estrada. E cada dia
os pais pensam e esperam.
E se ele volta, que seja festa sim, que se cante
e que se ria,
por que o que estava perdido, finalmente foi
achado.
Somos todos, sem
exceção possível, filhos pródigos de Deus.
Escolhemos um caminho aqui, retomamos ali,
voltamos,
Ele nos acolhe e no dia seguinte partimos de
novo.
E a cada retorno é uma nova festa, por que Deus
tem os braços abertos e
Ele não pergunta por onde andamos e nem o que
fizemos,
Ele pensa simplesmente:
"Meu Filho
Amado Voltou!"