Apanhando um saco plástico
Que
ali mesmo encontrou
O agente muito esperto
Escondeu o que furtou
Deixando o local do crime
Da
maneira como entrou.
O
senhor Gabriel Osório
Homem de muito tato
Notando que havia sido
A
vítima do grave ato
Procurou a autoridade
Para relatar-lhe o fato.
Ante a notícia do crime
A
polícia diligente
Tomou as dores de Osório
E
formou seu contingente
Um
cabo e dois soldados
E
quem sabe até um tenente.
Assim
é que o aparato
Da
Polícia Militar
Atendendo a ordem expressa
Do
Delegado titular
Não
pensou em outra coisa
Senão em capturar.
E
depois de algum trabalho
O larápio foi encontrado
Num
bar foi capturado
Não esboçou reação
Sendo conduzido então
À
frente do Delegado.
Perguntado pelo furto
Que
havia cometido
Respondeu Alceu da Costa
Bastante extrovertido
Desde quando furto é crime
Neste Brasil de bandidos?
Ante tão forte argumento
Calou-se o delegado
Mas
por dever do seu cargo
O
flagrante foi lavrado
Recolhendo à cadeia
Aquele pobre coitado.
E
hoje passado um mês
De ocorrida a prisão
Chega-me às mãos o inquérito
Que
me parte o coração
Solto ou deixo preso
Esse mísero ladrão?
Soltá-lo é decisão
Que
a nossa lei refuta
Pois todos sabem que a lei
É
pra pobre, preto e puta...
Por
isso peço a Deus
Que norteie minha conduta.
É
muito justa a lição
Do
pai destas Alterosas.
Não
deve ficar na prisão
Quem furtou duas penosas,
Se
lá também não estão presos
Pessoas bem mais charmosas.
Afinal não é tão grave
Aquilo que Alceu fez
Pois nunca foi do governo
Nem seqüestrou o Martinez
E
muito menos do gás
Participou alguma vez.
Desta forma é que concedo
A
esse homem da simplória
Com
base no CPP
Liberdade provisória
Para que volte para casa
E
passe a viver na glória.
Se
virar homem honesto
E
sair dessa sua trilha
Permaneça em Cachoeira
Ao
lado de sua família
Devendo, se ao contrário,
Mudar-se para Brasília!!!!!