Falar da
infância, é como entrar na máquina do tempo em uma
viagem buscando
resgatar o passado.
É buscar
lembranças que muitas vezes nos fazem chorar.
É como abrir um velho
livro... e sair à procura de um texto que mais marcou nossa vida.
E ai... passamos
a reler... a reviver...
E nesse velho
livro de minha vida, escolhi o texto que fala de SERENATA.
Madrugada sempre
de um Sábado, o silêncio era cortado pelos acordes dessa
canção.
Os sons eram tão
harmoniosamente juntos, que mais pareciam vir de um único instrumento.
Mas não... lá estavam
um saxofone, uma clarineta, um cavaquinho, um violão, e um pandeiro.
Juntos davam o
recado que haviam recebido pelo comando dos dedos
e sopros habilidosos de
quem os tocavam e assim,
o que era silêncio, deixava de existir
Isso acontecia na
janela de minha casa.
Aos poucos a rua
toda ia despertando...
Essa é a canção
que papai e mamãe me diziam ser :
"A nossa música
filha..."
Abraçados junto
a mim, e ao meu irmão,
deixavam que as
lembranças de seus mais íntimos momentos,
viessem á tona
naquele instante mágico e de encantamento.
Cabeças
emolduradas de prata, corpos já curvados pelo tempo,
mas o amor que os uniam continuava tão vivo e presente, quanto aquele momento.
E ela cantarolava para
ele, enquanto lágrimas marcavam seu rosto da mais pura
emoção.
Lembro perfeitamente
dos mínimos detalhes desses momentos que
o tempo não apagou de
minha memória.
Revivo-os agora com a
mesma emoção ou então ...
com maior emoção porque misturam-se a ausência
e a saudade...
minha infância...
Serenatas...
Minhas lembranças...
Meu pai...
Minha mãe...
